Fotógrafo recebe o maior prémio por esta imagem. Pouco tempo depois, escreve a sua carta de suicídio…

A imagem que verá abaixo foi publicada em março de 1993 no New York Times, e foi responsável pela ascensão e decadência do fotógrafo Kevin Carter, que ganhou o prémio Pulitzer de Fotografia.

A impactante imagem mostra um abutre a aterrorizar o pequeno Kong Nyong, que tentava chegar a um centro de alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU) próximo à aldeia de Ayod, no atual Sudão do Sul.

Depois de uma pesquisa do jornal El Mundo, descobriram que o menino sobreviveu à fome, mas acabaria por morrer 13 anos depois atacado por febres.

Contudo, estes dados vieram tarde demais para o autor da imagem.Kevin matou-se em 1994, onde deixou um bilhete com desabafos pesados que mostravam a sua depressão extrema. Ele viu a sua ascenção profissional ser construída a partir de uma imagem de total sofrimento e dor, e depois foi alvo de ferverosas críticas dos mídia.

Segundo o jornal St.Petersburg Florida Times, “Um homem que ajusta as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da criança bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena.”

Amigos próximos afirmaram que estas duras acusações foram o principal motivo para que Kevin se envolvesse com o uso abusivo de drogas, e que o levou consequentemente ao suicídio.

No seu bilhete final, é possível ver o estado emocional que o fez colocar uma mangueira de jardim ligada ao tubo de escape, se fechar no carro, escrever um bilhete, colocar os phones nos ouvido, ligar o motor e morrer por inalação de monóxido de carbono aos 33 anos.“Estou deprimido, sem telefone, sem dinheiro para pagar a renda, sem dinheiro para ajudar ao sustento da minha criança, sem dinheiro para pagar as dívidas, sem dinheiro!

Sou assombrado pelas vívidas memórias de mortes e cadáveres e raiva e dor, de crianças feridas e esfomeadas, de loucos que assassinam alegremente, alguns deles polícias (…). A dor de viver ultrapassa a alegria, ao ponto em que esta deixa de existir.”

A históra de Kevin foi retratada no documentário “The Bang Bang Club”, e deixa claro que o sucesso tem dois lados, e que retratar e presenciar tanto sofrimento, pode sim, atingir-nos diretamente.